Hoje, conversando sobre aborto e espiritismo, me lembrei de um vídeo no TED Talks de um cara que falava da experiencia incrível de uma mãe que foi estuprada e violentada quando muito jovem. Quando, aos seus 50 anos ela foi perguntada se tinha raiva do que aconteceu, ela disse: no começo sim, mas hoje tenho pena. – Pena, ele perguntou. – Sim, pena. Pois hoje eu tenho uma filha maravilhosa e netos lindas, e ele nem sequer sabe que isso existe. É um privilégio meu.

Assisti ao vídeo todo e no final, o youtube me redirecionou para um outro vídeo da mesma pessoa falando sobre depressão. Daí liguei os pontos e me dei conta de quem era Andrew Solomon, autor do famoso livro “O demônio do meio dia”. Ainda não o li, mas já está em minha lista. No vídeo que se intitula “Depression, the secret we share”, Andrew é brilhante ao final, nos dizer que “escolhe/decide se agarrar às razões para viver”.

Acredito que a maioria das pessoas acaba passando por alguma crise em algum momento da vida. E essa crise pode acabar vindo da desconstrução do que se acreditava ser realidade. Um choque. Após tal, é necessário se recuperar rápido, mas com pouca experiência e recursos, a frustração acaba sendo certa, em maior ou menor nível.

Dessa frustração, entra-se em um estado chamado depressão. Tal estado pode ser visto como um mecanismo de defesa da mente. Como assim defesa? Depressão é ruim! Explico: Estar deprimido lhe leva a um estado de inanição, com o intuito de não voltar ao estado em que se está suscetível a vivenciar novo trauma. Isso será elaborado melhor em um próximo texto. Mas preciso vir até aqui pra poder explicar o título desse texto. Decidir sair deste estado implica estar preparado para encarar a responsabilidade das consequências da sua escolha.

Enquanto não se vive a desconstrução de realidade citada acima, tudo acaba sendo muito fácil, fluido. Após a frustração, deve-se desejar sair do estado depressivo. E isso requer disciplina, pois lidar com a responsabilidade de nossas escolhas parece ao nosso cérebro tarefa tão árdua que fica alvo fácil de um outro monstro: a auto sabotagem.

Outra frase que Andrew Solomon diz tão brilhantemente é: “A verdade mente!”. Então, quando for tomar a decisão, tenha disciplina para manter suas convicções e atitudes, pois cenários favoráveis à auto-sabotagem brotarão em sua mente. Culpar o instinto é bem mais fácil do que culpar o consciente. Até parecem duas pessoas diferentes: o instinto e o consciente. Quando se toma uma decisão por instinto, acaba sendo mais fácil aceitar as consequências. Quando se toma uma decisão consciente, hemos de ser responsáveis pelas mesmas (consequências).

Boa Sorte!

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