“Como nossos pais”. Assim escreveu Belchior e Elis imortalizou com sua voz.

Acredito que desde o nascimento, aprendemos por observação e repetição. Principalmente com nossos pais. É claro que pais acabam passando ao recém nascido a sensação de proteção, carinho e cuidado. E para o recém nascido, sendo essa sensação tão boa, nada mais lógico do que associar o comportamento dos mesmos à tal sensação. Então, vai se formando uma estrutura em que, repetir o comportamento dos meus pais me remete a um lugar seguro.

Daí vamos crescendo, nosso senso crítico vai se desenvolvendo e começamos a perceber que nem tudo o que nossos pais fazem deve ser tomado como verdade universal. Mas a associação de segurança não é abalada completamente. Ela é apenas substituída por outras relações sociais que geralmente contribuem ainda mais para a criação de nossa estrutura. Geralmente vem na adolescência, primeiramente com nossos irmãos e primos. Depois, com nossos grupos de amigos.

Portanto, nutrir essa estrutura perpetua a sensação de segurança proporcionada por se fazer parte de um todo. Cria significância, afinal, mais pessoas também acreditam no que você acredita e você acaba não se sentido sozinho no mundo. Porém, há um “dark side” meu caro padawan. Machismo pode ser um bom exemplo. Usar da violência verbal e física para poder se sentir superior a uma mulher tem no seu contraponto o medo de desafiar uma estrutura engessada e arcaica, mas que trás significância à maioria das pessoas (e acredito ter algo a ver com instinto também, mas essa parte fica para um próximo texto).

Apesar de o exemplo acima levar em conta uma situação extrema, pense em quantas vezes atropelamos nossa integridade e concordamos com certas coisas apenas para não nos sentirmos distanciados do grupo. Talvez o medo de se desconstruir acaba vindo meio disfarçado de hipocrisia. Daí a justificativa do título do texto: DESAFIO.

Desafio porque o primeiro passo é confrontar uma estrutura que se tem formada e ir para uma zona em que se está vulnerável. De repente, depois de anos agindo da maneira X, se descobre o jeito de agir Y. E daí, explique para o seu inconsciente que não ficaremos mais na zona de conforto. Ainda, sair dela exigirá um esforço significativo e um enfrentamento do senso comum. Vai ter conflito!

Como dito acima, pode ser incômodo para o ser humano se colocar em uma situação de vulnerabilidade. Por outro lado, adiar o desafio de se desconstruir contribui na perpetuação de pensamentos arcaicos.

De um ponto de vista equilibrado, se o rompimento ainda não veio de forma violenta, sugiro olhar no espelho e questionar o “status quo”. As melhores idéias para se confrontar são aquelas que tem como justificativa: “sempre foi assim”. Ao tentar achar uma resposta diferente, você vai ter que reconstruir algumas estruturas e, indubitavelmente, pensar diferente. E quando bater aquela sensação de vulnerabilidade, desamparo, que tal expor suas idéias e talvez se dar conta de que você não é o único maluco na Terra. Tem mais gente doida por aí. Que tal começar um blog? Só para loucos…

Anúncios