Quem já não construiu alguma coisa e ficou muito orgulhoso? Quando você dá o sangue, briga pra que tudo saia como planejado e no final o resultado te deixa satisfeito, você é tomado de uma sensação muito boa, porém, transitória.

Aliás, estados de felicidade e satisfação, para fazerem sentido, têm de ser transitórios. Afinal, como seria um mundo em que todo muito fosse feliz e satisfeito toda hora?

Em se tratando de construções físicas ou mentais, o conceito é o mesmo. Pode ser a obra de uma casa, onde você planejou desde as árvores que iam ser plantadas no terreno até o mais complexo sistema elétrico e hidráulico. Pode ser uma carreira que levou anos de sacrifício, noites mal dormidas e renúncias que nos deixam engasgados. Ou até um relacionamento, onde o encontro nos faz abdicarmos de nós mesmos para nos enxergarmos pelo olhar do outro. E dói.

Tanto tempo, tanta dedicação e, de repente, tudo se vai. A casa cai, o emprego vai embora, o amor se esvai.

Sentimento visceral que brota é raiva. Raiva é a carcaça. Dentro dela existe o medo. Medo de que tudo não tenha valido a pena. Medo de perder. De achar que todos esses anos foram em vão. Pior: e daqui pra frente? Consigo reconstruir tudo? Eu não merecia isso… fiz tudo tão certinho. E nesse mundaréu de emoção, vem a frustração.

O “pulo do gato” deve ser o desapego. Por isso lhes digo: Nunca se apegue à obra. Apegue-se, à capacidade de realizá-la. Quando ficamos satisfeitos com construções nossas e, em algum ponto da vida, elas se vão, nunca nos esqueçamos de que damos conta. De que, antes do medo aparecer, lembremo-nos que conseguimos construir uma vez. Por que não outra?

Deixa a casa pra lá…hoje tenho tijolos. Deixa o emprego pra lá… hoje tenho saúde. Deixa a dor no passado… hoje tenho coração.

Grande Abraço!

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